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José Eduardo Cardozo é um dos políticos mais respeitados e bem sucedidos da atual geração: deputado federal pela segunda vez por São Paulo e Secretário-Geral do Partido dos Trabalhadores. Apesar do sucesso e do poder de Secretário-Geral do partido no governo, com muita chance de ser reeleito em outubro e ter a candidata de seu partido na presidência da República, o deputado José Eduardo Cardozo surpreendeu a opinião pública ao dizer que não buscará outro mandato. Abriu mão de uma carreira política antes mesmo de disputar cargos mais elevados e de participar do poder em um país com a dimensão do Brasil. Por carta e entrevistas, disse que está descontente em ocupar função que é vista com desprezo e desconfiança pela opinião pública. Segundo disse, não quer mais ser visto como quem se elege para tirar proveito pessoal, apesar de toda a dedicação como exerceu seus cargos. Sente-se frustrado como o sentimento negativo da população, mesmo quando, no caso dele e de outros, o cargo representa sacrifícios pessoais e financeiros. Como brasileiro, lamento a perda de um parlamentar que ainda teria muito a ajudar na condução do País. Com seu gesto, senti o José Eduardo maior e o Brasil, menor. Mas, ao tomar conhecimento de sua decisão, lembrei-me de outros que hoje pensam igualmente, mas não tomaram ainda a mesma posição. Entendi perfeitamente e simpatizei com a decisão dele. Quando comecei na vida pública, em Recife, nos anos 60, meus companheiros e eu tínhamos medo de sujarmo-nos de sangue; hoje é de lama, por descuido, por erro, ou mesmo pela simples maledicência pública. E decidi saber o que pensam desse gesto aqueles que me acompanham na minha comunicação diária pelo microblog Twitter (@sen_cristovam). Recebi imediatamente dezenas de mensagens comentando o assunto. Algumas passam simpatia, como: “Se as pessoas boas desistirem, estarão favorecendo aqueles que querem combater”; “Acho interessante, mostra o seu caráter”; “Decisão digna, porém contraproducente na luta pela moralização”; “Ele fará grande falta. É triste quando homens de bem deixam a política”;Mas a maior parte, no lugar de simpatia, passavam ideia de desconfiança. “Não é medo que o Bancoop chegue nele?”; “Entendo, mas dada a frequência (de corrupção) dificilmente se acredita em honestidade (na política)”; “Vai ser assessor do Dirceu”; “Acho que ele quer aparecer”; “Generalizar não dá, mas ‘quase’ todos os políticos são ladrões”; “Ele poderia se retirar do estereótipo se fizesse algo na política, mostrasse ser diferente”; “O problema não está no fato de que, no Brasil, os políticos são tratados como ladrões, o problema é que eles agem como tal”; “Onde há fumaça, há fogo”; “Decepcionado está o povo ao ver na TV como nossos representantes se comportam”; “Não acredito que depois de todos esses anos, o deputado Cardozo pense nisso só agora”; Percebe-se que poucos lamentam a perda de um grande político, que dá tudo de si para defender um Brasil melhor. Alguém, no passado, disse que “ao Rei, tudo, menos a honra”, hoje dizemos “ao povo e à Pátria, tudo, menos a honra”. Por isso, cada vez mais teremos menos pessoas com disposição para continuar na vida política, correndo o risco não mais de morrer, mas de perder a honra. É com orgulho que vejo um parlamentar brasileiro fazer esse gesto; sem também com temor, porque se todos fizerem o mesmo, a situação vai piorar. Fica a esperança de que o gesto dele possa despertar o eleitor. Cristovam Buarque é Professor da Universidade de Brasília e Senador pelo PDT/DF
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