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Herança e mudanças

Após a bela vitória contra o Guarani Saul Teixeirana semana da passada, o Inter voltou ao Beira-Rio, jogou apenas para o gasto, foi beneficiado por um pênalti inexistente e venceu o Ceará por 2 a 1. Com o resultado, o colorado ocupa a sétima posição com 13 pontos. Apesar da parada para Copa, que teoricamente seria utilizada para a corrigir os problemas da era Jorge Fossati, alguns dificuldades seguem as mesmas, como a pouca produtividade do ataque e a inconstância dos goleiros. De produtivo, fica o maior equilíbrio defensivo e a mudança de atitude do time, que inegavelmente está “mordendo” mais, como se diz na gíria do futebol.

Pecado

Talvez inspirado em muitas seleções da Copa da África, Celso Roth introduziu o esquema 4-2-3-1 no colorado. Entretanto, para que qualquer formação surta resultado é preciso atletas que se encaixem a ela, o que não ocorre no Inter. Para atuar com apenas um avante, é preciso no mínimo de dois meias de velocidade que atuem nas extremidades do campo e tenham capacidade de se somar ao centroavante. Do contrário, a defesa adversária terá mais tranquilidade que um baiano de férias.

Alemanha

Como exemplo de 4-2-3-1 bem sucedido, temos a Alemanha, terceira colocada na Copa 2010. Os germânicos tinham apenas Klose no comando de ataque, mas que com a posse de bola recebia a companhia de Müller pela direita e de Lukas Podolski pela esquerda. No Inter é diferente. Apenas Taison é veloz, mas nunca foi e jamais será meia. Os outros escalados, como D’Alessandro, Giuliano ou Andrezinho, são todos carregadores de bola, que centralizam o jogo e acabam “engessando” a proposta de Roth. Creio que é hora de simplificar. Com os atletas disponíveis, o treinador pode formar uma equipe muita mais equilibrada no bom e velho 4-4-2.

Camisa 1

Em uma partida fácil, em que o colorado ditava o ritmo, o goleiro Pato Abbondanzieri quase complica as coisas ao engolir um tremendo peru. Embora a bola tenha desviado em Wilson Mathias – apelidado de “espetacular” pelo vice de futebol Fernando Carvalho – o fato não exime o veterano da falha. Com Pato no gol, a emoção está garantida para a torcida colorada.

Tempo perdido

O Grêmio piorou durante a parada para a Copa. Apesar da realização de jogos amistosos e inúmeros treinamentos, o técnico Silas não repetiu a equipe uma vez sequer durante a intertemporada, jogou fora a oportunidade de ajeitar a casa e agora corre o risco de perder o emprego. No domingo, perdeu para o Grêmio Prudente em São Paulo por 2 a 0. Com o resultado, os gremistas ocupam a zona de rebaixamento, estão na 17ª. colocação com nove pontos e precisam conviver com a “corneta” da torcida e com as duras críticas da imprensa.

Economia interna

Vestiário. Este é o principal problema do Grêmio. Quando não existe consenso entre a direção, o treinador e os atletas, alguma mudança precisa ocorrer. Nestes casos, é a parte mais frágil e que acaba pagando o preço, ou seja, o técnico Silas. O futebol é assim e dificilmente vai mudar. Apesar da direção bancar o treinador até a próxima partida, às vezes a alteração no comando se faz necessária. Silas resiste no cargo pelos resultados do primeiro semestre – Campeão Gaúcho e semifinalista da Copa do Brasil. Mas convenhamos, a campanha é insatisfatória levando-se em conta a tradição, a história e grandeza do Grêmio. O tricolor precisa reagir, vencer e mudar.

Cão de guarda

Dentro de campo, a situação é a mesma do primeiro semestre. Desde a lesão do volante Ferdinando – que apesar das críticas desempenhava satisfatoriamente a primeira função do meio-campo – a direção não disponibilizou nenhum atleta de mesmas características para Silas. Desta forma, o meio-campo gremista fica pouco combativo, deixa muitos espaços para o adversário e acaba comprometendo todo o sistema defensivo. O Grêmio precisa urgentemente contratar um primeiro volante de qualidade, no melhor estilo cão de guarda. Adílson, William Magrão e Rochemback, que invariavelmente aparecem na função são todos jogadores de características mais avançadas. É necessário um camisa 5 na Azenha.

Camisa 10

Novamente o goleiro Victor foi o destaque do Grêmio na rodada. Apesar da derrota, o arqueiro salvou o tricolor de um resultado ainda pior, fez inúmeras defesas, pegou pênalti e está na seleção da rodada do campeonato. Por tudo que tem feito, Victor se credencia cada dia mais como o melhor da posição no país. Apesar de goleiro, o capitão gremista poderia tranquilamente utilizar a camisa 10. Afinal, chamá-lo de craque está longe de ser um exagero.

Dupla em campo

Na quarta-feira, o Internacional vai a Minas Gerais enfrentar o Atlético-MG às 19h30min. Por sua vez, o Grêmio recebe o Vasco no Olímpico às 21h50min. Boa sorte, gauchada!

Boa semana e até a próxima

Por Saul Teixeira, estudante de Jornalismo

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