O presidente do Banco Mundial (BIRD), Roberto Zoellick, cobrou ontem que os líderes do G8 (os sete países mais ricos do mundo e a Rússia) evitem o que chamou de “desastre”, ou seja, “a crise alimentícia global” que cálculos do banco demonstram que pode levar à fome um contingente adicional de 100 milhões de pessoas.
O Presidente do Bird listou três providências imediatas que deveriam ser tomadas: 1) Atender as necessidades mais urgentes dos países muito pobres, em especial na merenda escolar e no aleitamento materno; 2) Ajudar pequenos produtores com sementes e fertilizantes para que possam aumentar a produção; 3) Eliminar as restrições à exportação de alimentos impostas por 26 países e que “provocam uma ruptura no sistema internacional de alimentação”. Vide, o caso da Argentina que recentemente impôs uma taxa adicional às exportações de soja, o que deu origem ao grande conflito com os produtores rurais. Zoellick condenou também a utilização de áreas voltadas para o plantio de alimentos para a produção de biodiesel, como é o caso americano em que o combustível é fabricado a partir do milho. Apesar da boa receptividade entre os oito mandatários presentes ao encontro, um grande ceticismo eclodiu entre as nações mais pobres, especialmente as africanas, pois afirmam todos que o G8 não cumpre as promessas que repetidamente faz. Há três anos, em cúpula na Escócia, os países ricos prometeram US$ 25 bilhões adicionais, dos quais apenas um quarto foi efetivamente desembolsado, conforme denúncia de organizações não-governamentais que trabalham no continente africano. No Brasil, a mesa dos mais pobres vem sofrendo não pela falta de alimentos, mas pelos índices inflacionários absurdos que estão atingindo em cheio os alimentos. Infelizmente, mais uma vez o monstro da inflação está voltando e corroendo especialmente o poder aquisitivo da população de mais baixa renda. O que se espera, é que medidas sérias e contundentes sejam tomadas pelo Governo Federal sem considerar o ano eleitoral em curso. A história já demonstrou que quando os governos de plantão se deixam dobrar pela vitória fácil nas urnas, o povo acaba pagando um preço extremamente elevado, como ocorreu com o famigerado Plano Cruzado em 1985. Secretário Municipal do Planejamento de Porto Alegre-RS. |