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Nosso cinqüentenário Imprimir E-mail
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Imagem AtivaOs cinqüenta anos da revolução cubana trouxeram avaliações concentradas em presos políticos, pobreza econômica, falta de liberdades individuais, censura à imprensa. É como se todos os cinqüenta anos se limitassem aos fracassos para a implantação de uma economia de mercado e uma democracia nos moldes ocidentais. Faltou uma análise nos aspectos negativos e positivos do que seria Cuba sem os cinqüenta anos de revolução, e isto é possível de ser feito: basta comparar Cuba com outros países do continente.

Do ponto de vista da democracia, Cuba deveria ter hoje um sistema multipartidário, uma imprensa livre, como os demais países do Continente, lembrando do que estes passaram metade do século com regimes militares, torturando, prendendo e exilando. Na própria Cuba, não sabemos quanto tempo teria durado ainda a ditadura de Batista e seus sucessores, com o apoio dos “democratas” do Continente, se a revolução de Fidel não o tivesse mandado para Miami.

Do ponto de vista da liberdade de imprensa, Cuba hoje deveria ter jornais livres, mas teria poucos leitores. Basta observar os resultados da alfabetização e da educação nos demais países do Continente, nestes cinqüenta anos onde a imprensa é livre, mas pouquíssimos são capazes de ler e entender o que está escrito. Se imaginarmos como seria Cuba sem a revolução, comparando-a com os países ao redor como o Brasil, por exemplo, ela hoje teria mais de onze por cento de analfabetismo no lugar de todos alfabetizados; ainda teria crianças sem matrícula, muitas apenas matriculadas, mas fora da escola; apenas 33% terminariam o ensino médio, no lugar de todos concluírem este nível de educação com freqüência e horários integrais, desde os quatro anos até os dezoito; teria apenas 4% de sua população adulta na universidade, a maior parte tendo de pagar seus cursos, no lugar de quase todos com acesso ao ensino superior gratuito, como hoje oferece Cuba. Poderia haver em Cuba debate de ideais, como temos no Brasil, mas um debate limitado entre poucos, como ocorre no Brasil.

Do ponto de vista da economia, não há dúvida que Cuba teria hoje uma renda per capita muito superior a que a revolução conseguiu, mas seria graças à monocultura da cana e aos serviços turísticos com cassinos e tudo o mais que esta atividade atrai; mas a renda estaria concentrada, nas mãos de poucos, como nos demais países do Continente.

Nenhum dos êxitos dos cinqüenta anos deve nos atrair ao ponto de copiar no Brasil o regime político criado pela revolução cubana, nosso caminho deve ser outro. Mas fechar os olhos para os êxitos da revolução cubana é ignorar a maneira como o povo é tratado nos países que não fizeram suas revoluções.

Nestes cinqüenta anos de revolução cubana, não fechemos os olhos para falhas nas opções políticas que ela fez, mas tampouco para os países que não fizeram suas revoluções. Até porque, agora e aqui, não temos uma ditadura, como lá eles tinham de Batista, não estamos a poucos quilômetros dos EUA, não há mais Guerra Fria, a URSS e o Leste Europeu já abandonaram o socialismo. Não temos desculpas para justificar copiar Cuba no plano político, nem desculpas para não fazer o que Cuba fez na área social. Para nós seria muito mais fácil e não estamos fazendo, porque não nos preocupamos em como acertar no Brasil sem necessidade de revolução nos moldes cubanos. Nos preocupamos em criticar os erros dos cinqüenta anos de revolução em Cuba, e esquecemos de criticar nosso cinqüentenário sem revolução no setores sociais.

 
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