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No Guia Quatro Rodas 2009 é possível consultar as localidades de Vilhena (RO, 66 mil hab.), Videira (SC, 44 mil hab.), Nova do Imigrante (ES, 18 mil hab.). Mas, das 888 cidades listadas, os editores do guia decidiram não incluir Viamão. Esta seria uma omissão "política"? Paranóias bairristas à parte, fico pensando quais seriam afinal nossos pontos turísticos? E quase nada encontro. Sucessivas municipalidades simplesmente negligenciaram quaisquer esforços mais conseqüentes para fazer emergir o setor que mais emprega e gera renda na economia moderna. Investimos na produção de arroz e nos transformamos em importante bacia leiteira, atraímos indústrias dentro e fora de nosso distrito industrial. Mas e o turismo? Até as desconhecidas Varginha (MG, 11 mil hab.), com a improvável "visita extra-terrestre", e Penha (SC, 21 mil hab.), instalando o Beto Carrero World, promovem competentemente a indústria turística. Não é possível que não possamos desenvolver capacidade turística aproveitando a proximidade de Porto Alegre e Caxias do Sul, e a passagem de dezenas de milhares de argentinos que se dirigem ao litoral gaúcho e catarinense. Evidente que o primeiro passo para reverter essa lamentável situação é envolver na discussão toda a comunidade viamonense, ouvindo suas vontades e propostas. Hotéis-fazenda e pousadas rurais são certamente uma opção, voltadas à atrair turistas urbanos da região metropolitana, fazendo valer o que já ocorre espontaneamente com a reconversão de áreas rurais em sítios de lazer. Mas ainda precisariamos de um atrativo maior, capaz de projetar a cidade no cenário turístico nacional e do Cone Sul. Pessoalmente, destaco a força atrativa do Autódromo Internacional de Tarumã. Sozinho não significa muito; aliás, Guaporé e seu autódromo também não aparecem no Guia Quatro Rodas. Mas Tarumã pode ser a base de uma nova infra-estrutura turística voltada para promover a velocidade. Afinal, quem não gostaria de dar uma volta num carro de fórmula 1 no circuíto de Tarumã? Ou quem sabe num fórmula truck? Quem viesse de longe atrás deste sonho não se importaria de gastar mais um pouco na compra de souvenirs e em hospedagem na cidade. Sai ganhando o comércio e a indústria hoteleira viamonense, e sociedade como um todo com a geração de mais postos de trabalho. Vale lembrar que o automóvel continua o mais importante ícone da "sociedade do consumo", e suas diversas competições esportivas e eventos de lançamento de novos modelos atraem dezenas ou centenas de milhares de pessoas por todo o mundo, envolvendo profundamente a mídia dos países onde ocorrem. Nas proximidades do autódromo poderíamos criar pistas de kart com os traçados dos principais circuítos argentino-brasileiros e europeus, com apoio direto da iniciativa privada. Da parte do poder público, a meta poderia ser a criação de um "Museu da Fórmula 1", com alguns bólidos e equipamentos de pilotos que fizeram fama, com amplo acervo para pesquisa jornalística e exibição de filmes/documentários destinados ao público visitante, e quem sabe até uma "calçada da fama" com as marcas das luvas dos pilotos... Essa infra-estrutura poderia ser construída aos poucos, sempre aproveitando o entorno do Tarumã. Mas seu êxito depende do envolvimento da municipalidade e da comunidade viamonense, de sua capacidade de desenvolver projetos para atrair a iniciativa privada e mobilizar apoio político das demais escalas de governo. Idéias existem, portanto, mãos à obra, ou melhor dizendo, mãos ao volante!
EDU SILVESTRE DE ALBUQUERQUE Geógrafo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul Doutor em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina Professor universitário da Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR)
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