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No meio do caminho tinha uma pedra...". Imprimir E-mail
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Carlos Drummond de Andrade

Sérgio KumpferHoje, esse extrato da poesia de Carlos Drummond de Andrade talvez tenha outro sentido e esteja trazendo muitas noites mal dormidas à sociedade do século XXI. Esta “pedra”, o crack, é a gota dágua de uma sociedade que não ouviu os sinais do terremoto que se aproximava e continuou destruindo o frágil tecido social que ainda tinha. Quando nos demos conta, acordamos e ficamos aterrorizados, sem saber como tudo começou e pior ainda, sem saber o que fazer, por onde seguir caminho.

Uma retrospectiva das opções que a nossa sociedade fez ao longo dos tempos, pode ajudar a construir um diagnóstico da situação e provavelmente encontraremos respostas/soluções às nossas dificuldades.

Optamos por um modelo de desenvolvimento econômico, que excluiu a maioria, para que uns possam crescer. Optamos por consumir tudo que a natureza nos oferecia, sem pensar que estes recursos eram esgotáveis. Agora vivemos secas com racionamento de água de um lado e enchente de outro. Não podemos plantar o alimento que nos dá vida, porque a terra secou ou inundou. Não pensamos na sustentabilidade do cidadão, nem do planeta.

Optamos pela grande propriedade, ao invés da reforma agrária, excluindo milhares de famílias do campo, que incharam as cidades sem perspectivas de moradia, nem de trabalho. Apressando um crescimento desordenado que traz até hoje sérios problemas de infra-estrutura.

Optamos por uma educação e saúde sem qualidade para a maioria da população.

Optamos por investimentos escassos na área da cultura para a periferia, obrigando os nossos jovens a terem a “esquina” como principal ponto de encontro e de lazer.

Optamos por poucas propostas de iniciação profissional para os jovens, o que faz da “boca de fumo” uma alternativa de renda para muitos.

Optamos por um Estado, gerente das políticas públicas, inoperante, lento e muitas vezes um espetáculo pirotécnico, que faz o “patrão” da vila o meio mais rápido de solução das necessidades básicas de muitas famílias.

Optamos por encarcerar infratores (hoje já temos um universo de meio milhão de presos) em locais subumanos, com o falso discurso da ressocialização.

Optamos em nos armar, ao invés de defender a cultura da paz.

Qual será mesmo a pedra que está no nosso caminho?

Talvez estejamos precisando mais de programas como o projovem, o jovem aprendiz, pontos de cultura, bolsa família, emprego para todos, minha casa/minha vida, prouni, reforma agrária, pronasci, entre tantos outros, do que tivemos ao longo da nossa história.

Talvez essa pedra no nosso caminho seja mais fácil de remover do que estamos conseguindo enxergar.

Serginho Kumpfer

Vereador PT

 
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