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Nas aulas de geografia aprendemos que possuir uma vasta costa com reentrâncias de mar calmo constitui enorme vantagem geopolítica, e que o transporte marítimo apresenta custo bem menor que os modais rodoviário e ferroviário. Alguém poderia então explicar o porquê da navegação de cabotagem estar abandonada no paí
Não sou adepto de teorias conspiratórias, mas a importância da cabotagem foi apagada até mesmo de nossa história. Quando se aborda a questão da integração nacional é como se esta começasse apenas com as grandes rodovias, ocultando o amplo papel já desempenhado desde os tempos coloniais pela ligação costeira regular entre as grandes cidades brasileiras. É preciso lembrar que até hoje a imensa maior parte da população brasileira vive em centro urbanos localizados na zona de influência do Atlântico. A opção de JK pela industrialização baseada na atração de filiais multinacionais da indústria automobilística explica o sucesso do modelo nacional-desenvolvimentista, mas também seus limites históricos. Em cada governo o setor automobilístico é protegido, como se apenas os automóveis fossem capazes de gerar renda e postos de trabalho. Basta ver a recente redução do IPI sobre a venda de automóveis determinada pelo governo Lula, para felicidade geral da classe média brasileira. As grandes e médias cidades brasileiras já estão em colapso devido ao excesso de veículos particulares e deficiência dos transportes públicos, mas continuamos a privilegiar a venda de automóveis. O transporte de cargas em caminhões encarece cada vez mais o frete das regiões agrícolas mais distantes dos portos. Mas quando sairmos da crise econômica internacional a ameaça de estrangulamento da infra-estrutura logística (o “Custo Brasil”) virá ainda com mais força; este é, portanto, o momento de agirmos. Desregulamentamos os setores de telecomunicações, de informática e ferroviário, mas quais os “interesses ocultos” que impedem que façamos o mesmo no setor de cabotagem? Fala Lula! Edu Silvestre de Albuquerque - Geopolítico e Professor da UEPG/PR.
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